O centro emocional
Uma rapariga encosta o seu adufe ao da avó, acertando o compasso com os polegares até, após algum tempo, os dois tambores e as duas vozes serem um só — e a mulher mais velha deixa de corrigir, e apenas escuta.
A sequência
Lê-se como um livro. Cada fotografia assenta no som que estava a acontecer quando foi feita: aproxime-se, com o som ligado, e ouça-a.
12 fotografias
Quem recebe
Por conhecer
Procuro uma rapariga a aprender o adufe com uma das Adufeiras, acompanhada das oficinas de primavera até ao ritual do castelo.
Cada capítulo acompanha de perto uma criança, escolhida com a sua família. É dela o fio que atravessa o capítulo: a aprendizagem, o dia da festa e o quotidiano.
O que fotografo
A transmissão do adufe ao longo da primavera — as oficinas, as Adufeiras a ensinar raparigas — culminando na Festa da Divina Santa Cruz, a 3 de maio, o ritual do castelo.
Três fios
- 01
A aprendizagem
O gesto ainda por fixar: a primeira vez que o corpo faz o som, e alguém mais velho corrige.
- 02
A performance
O dia em que a tradição se mostra, e a criança deixa de ensaiar para passar a ser vista.
- 03
O quotidiano
A escola, o telemóvel, a cozinha — o sítio onde a tradição vive ao lado de tudo o resto.
As gravações
O que se ouvia enquanto as fotografias eram feitas. É do som que vive a imagem parada.
- 01AmbienteA oficina de primaveraPor gravar
- 02RitmoO adufe, em compasso ternárioPor gravar
- 03CantigaAs vozes das AdufeirasPor gravar
- 04AmbienteA subida ao castelo, 3 de maioPor gravar
O filme
O filme é feito de fotografias vivas: a câmara não se move, e a vida move-se dentro dela.
O território
Uma aldeia de granito na Beira interior, entre penedos, onde a festa sobe ao castelo a 3 de maio.
Com as famílias
As crianças deste arquivo aparecem com a autorização das suas famílias e das suas comunidades, e só depois de haver confiança. Podem sair a qualquer momento. As fotografias voltam sempre a casa.